Parasita altera comportamento de Killifishes na Califórnia
Um parasita que se atrela ao cérebro de peixes alterando o comportamento dos mesmos foi descoberto nas poças da parte Sul do Estado da Califórnia nos Estados Unidos. Assumindo o controle de funções básicas do peixe, o parasita consegue aumentar de forma significativa as suas chances de sobrevivência, tudo isso as custas do peixe. Um time de cientistas da Universidade da Califórnia liderado pela pesquisadora Janny Shaw está investigando profundamente a relação do parasita Euhaplorchis californiensis e do Killifish Californiano(Fundulus parvipinnis).
Os killifish infectados são manipulados pelo parasita a irem a superfície mais frequentemente do que estão normalmente habituados, tornando-os assim um alvo mais fácil para pássaros predadores. Os peixes infectados são 30 vezes mais vítimas de ataques de pássaros do que os que não-infectados pelo parasita.
O mecanismo continua de forma promissora para o parasita, que tendo sendo engolido juntamente com o peixe comido pelo pássaro, poderá se desenvolver no intestino do pássaro, seu novo hospedeiro. Após o pleno desenvolvimento, o parasita começa a deitar os ovos que são espalhados através das fezes dos pássaros, ovos esses que serão consumidos por moluscos, que por sua vez serão atacados pelos peixes, completando o ciclo de vida do parasita.
O estudo comprovou que o parasita trematodes produz um bloqueador químico que inibe a produção da serotonina no cérebro dos killifish, tornando o peixe menos agressivo e acalmando-o. O outro bloqueio químico efetuado pelo parasita é em relação a dopamina. Com a produção de dopamina interrompida, o peixe se torna mais ativo, e os efeitos combinados criam um peixe mais despreocupado em relação aos perigos naturais e mais ativo em relação ao meio, logo, são alvos mais fáceis para os pássaros pescadores.
O próximo passo da pesquisa é avaliar o efeito do medicamento Prozac e drogas similares que aumentam a produção de serotonina pelo cérebro para avaliar o impacto nos peixes infectados. Apesar de haver casos largamente estudados de mudança de comportamento de invertebrados ocasionadas por parasitas, existem poucas evidências de casos em animais vertebrados, logo, essa pesquisa pode se tornar um marco e ter impacto significante nos seres humanos.
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